A Cruzada foi o nome que decidimos chamar à luta incessante que neste momento travamos com algumas Instituições Financeiras e Bancárias no corte ao Financiamento Bancário que nos impede de progredir, desenvolver e criar riqueza. De colocar novas ideias no mercado, de criar emprego. Sem mais!

Obviamente estamos conscientes de que esta nossa reacção terá efeitos nulos, tal é a surdez e obstinação de alguns gestores, obcecados pelo controlo de risco que agora se lembram de tentar prever, coisa que até então não tiveram competência para fazer ou não então quiseram fazer. VERGONHOSO.

Não obstante de vários avisos emanados por várias Instituições do País, como sendo o Governo e a Presidência da República, as restrições ao crédito continuam, sendo agora apenas um privilégio de alguns. 

No nosso caso particular a razão prende-se, particularmente, com um mecanismo burocrático criado (e diga-se que bem) pelo Banco de Portugal no sentido de centralizar as responsabilidades que cada indivíduo ou empresa possui em termos de financiamento bancário. Foi criada a Central de Responsabilidades de Crédito, um organismo onde são compiladas todas as responsabilidades que particulares e empresas possuem no mercado financeiro.

Só que tal instrumento que, tal como a faca, que serve para cortar o pão que nos alimenta, também serve para matar, está a ser usado de uma forma atroz por algumas Instituições Financeiras que nos impedem de ir ao mercado buscar fundos que são essenciais para o normal decurso da nossa actividade. 

Infelizmente o  Sector Financeiro é obrigado a reportar eventuais moras ao Banco de Portugal, através da Central de Responsabilidades de Crédito (CRC), que inviabiliza toda e qualquer hipótese de financiamento, seja ele de que tipo for. E uma vez que as eventuais moras reportadas não são removidas porque não há hipótese de financiamento para o respectivo pagamento das nossas obrigações mensais, as moras persistirem. E como as moras persistem, não há financiamento. A isto podemos chamar de redundância, da qual é impossível sair. 

O reporte à CRC, útil instrumento quando usado sensatamente, está a colocar “dentro do mesmo saco” todo o tipo de empresas, pois uma vez devido um qualquer valor a uma qualquer entidade bancária, todas passam a ser empresas de risco (más) aos olhos de quem financia, independentemente da sua estrutura de custos. No nosso caso, grande parte dos Custos são a entidades financeiras (leasing de viaturas), com rendas antecipadas e com recebimento muito posterior à prestação do serviço, o que só nos traz estrangulamento financeiro.

No fundo o que esta Lei obriga é que as entidades concessoras de crédito sejam prioritárias aquando dos pagamentos mensais efectuados pelas empresas, passando por cima de outras entidades tão importantes como sendo os Trabalhadores, Finanças e Segurança Social.

Nesta altura de dificuldades o esforço deve ser repartido por todos e não faz sentido que as entidades Financeiras tenham supremacia sobre as restantes entidades que giram em torno das empresas sem nada dar em troca, como por exemplo, atrasar o reporte de moras ao Banco de Portugal, para facilitar o acesso ao financiamento bancário, permitindo que as empresas saiam da redundância que acima explicamos. 

Ora, não é MORALMENTE ACEITÁVEL e nos tempos difíceis que correm, na maior e imprevisível (?) Crise Económica desde os anos 30, por acaso com origem na especulação financeira, que as empresas, nomeadamente as pequenas e médias empresas, sejam confrontadas, por um lado, com dificuldades de tesouraria para honrar os seus compromissos, e por outro, com dificuldades de recebimento dos seus créditos junto dos seus clientes. E tudo isto sem poderem as empresas também reportar as moras ou atrasos dos seus clientes a quem quer que seja e sem poder recorrer à Justiça pois esta é morosa e muitas vezes ineficaz.

Muitas empresas estão num beco sem saída, pois por um lado não é possível mudar de política comercial (recusando clientes “a crédito”) uma vez que estes são os únicos clientes que têm, não podem exigir que estes paguem “na hora” porque isso é impossível e não podem obter financiamento porque têm moras reportadas. Realmente um caminho sem saída a que os Gestores das Instituições Financeiras, autênticos Yes Men, assistem sentados nas suas luxuosas cadeiras em pele, lá no alto dos seus luxuosos escritórios.

E descer até à rua, não?